Ictiologia
LABORATÓRIO
O Laboratório de Sistemática Molecular e Biologia da Reprodução (BEAGLE) é um espaço multidisciplinar dedicado ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária. Na área de Ictiologia, são desenvolvidos estudos sobre sistemática, taxonomia, evolução, ecologia e conservação de peixes de água doce, com especial atenção à ictiofauna da região Neotropical e com linhas de pesquisa paralelas dedicadas à ictiofauna amazônica, do Cerrado brasileiro e do continente africano. Nossos estudos combinam dados morfológicos, moleculares, ecológicos e geográficos para identificar e delimitar espécies, reconstruir suas relações evolutivas e compreender os processos responsáveis pela diversidade da ictiofauna. O laboratório também desenvolve pesquisas sobre diversidade genética, distribuição e dinâmica das populações, uso de habitats e efeitos de impactos ambientais, como barramentos, perda de habitat e introdução de espécies não nativas. Os resultados contribuem para inventários de biodiversidade, monitoramentos ambientais e ações de manejo e conservação de espécies nativas e ameaçadas. O laboratório também promove atividades de divulgação científica e de extensão universitária, como o projeto Peixe nas Redes (@peixenasredes), desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal de Viçosa e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. A iniciativa aproxima a ciência da sociedade ao divulgar informações e curiosidades sobre a diversidade, a biologia, a evolução e a conservação dos peixes.

COORDENAÇÃO
As atividades de Ictiologia no BEAGLE são coordenadas pela professora Elisabeth Henschel, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa, curadora da Coleção Ictiológica do Museu de Zoologia João Moojen e pesquisadora nas áreas de taxonomia integrativa, sistemática molecular, evolução e conservação de peixes de água doce. Sua atuação inclui a descrição de novas espécies, estudos sobre diversidade e distribuição da ictiofauna, genética de populações, monitoramento de comunidades aquáticas e conservação de espécies nativas e ameaçadas. Suas pesquisas têm especial enfoque na bacia do rio Doce e em outros sistemas hidrográficos do Sudeste brasileiro, incluindo a avaliação das consequências de alterações ambientais sobre a biodiversidade. Além da produção de conhecimento científico, a professora atua na formação de estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, na curadoria e ampliação da Coleção Ictiológica e na elaboração de informações técnicas destinadas a programas de conservação e gestão da biodiversidade. Esses trabalhos são realizados em colaboração com universidades, museus, comunidades locais, organizações ambientais e órgãos nacionais e internacionais.

Professora Doutora Elisabeth Henschel
Contato: elisabeth.henschel@ufv.br
COLEÇÃO ICTIOLÓGICA
Assim como outras coleções do Museu de Zoologia João Moojen, a Coleção Ictiológica possui exemplares coletados desde 1933 pelo professor João Moojen. Em meados da década de 1980, o acervo consolidou-se como uma coleção científica sob a curadoria do professor Jorge Abdala Dergam. Desde então, a coleção tem se expandido continuamente e atualmente reúne peixes provenientes de mais de 30 bacias hidrográficas brasileiras. Sua abrangência geográfica estende-se da bacia Amazônica, ao norte, às bacias dos rios Paraguai e Uruguai, ao sul.


Em 2026, a Coleção Ictiológica ultrapassou a marca de 15.700 lotes catalogados, com destaque para a bacia do rio Doce, que representa a maior parcela do acervo. No caso da bacia do rio Doce, a coleção possui importância histórica ainda maior. Seus exemplares permitem documentar a diversidade existente antes e depois de grandes transformações ambientais, reconstruir a história da ictiofauna e compreender alterações na distribuição das espécies. O acervo também preserva espécies ainda não descritas pela ciência, registros raros, populações atualmente reduzidas e exemplares provenientes de localidades profundamente modificadas ou que já não existem em suas condições originais. Além disso, a coleção conta com um acervo de tecidos provenientes dos espécimes coletados, preservados para análises moleculares. Atualmente, são mais de 45 mil amostras de tecidos de peixes, além de mais de 6.500 amostras de tecidos e suspensões citogenéticas de peixes e de outros vertebrados, como anfíbios e répteis.




